quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Conselho Municipal de Defesa Civil toma posse

COMDEC é responsável pela coordenação de ações de defesa civil no Município 

Foto: Ascom PMI 08.08.19

O Conselho Municipal de Defesa Civil – COMDEC- está reestruturado em Itaúna. A recomposição e fortalecimento do órgão, são conquistas importantes. Tomaram posse em solenidade na manhã desta quinta-feira, 8 de agosto, os novos membros para compor o atual Conselho, biênio 2019/2021, procedidos em conformidade com o estabelecido no artigo 8º da Lei nº 4.174/07 e artigo 5º do Decreto nº 4.994/07.

O Conselho tem entre os principais objetivos: Coordenar e executar as ações de defesa civil; Manter atualizadas e disponíveis as informações relacionadas à defesa civil; Elaborar e implementar planos, programas e projetos; Elaborar Plano de Ação anual visando o atendimento das ações em tempo de normalidade, bem como, das ações emergenciais, com a garantia dos recursos no Orçamento Municipal.

Alisson Diego, secretário de Planejamento e Governo do município, presidiu a reunião e destacou o papel da defesa civil: "Desde 2017, a Prefeitura reestruturou a Defesa Civil municipal, dotando-a de estrutura e empoderando-a como um essencial órgão intersetorial que não prescinde do apoio tanto da sociedade civil organizada quanto do poder público. Itaúna possui uma situação bastante excepcional comparando-se ao nosso país. Isso não quer dizer que devamos nos sentir confortáveis, mas sim que devemos permanecer trabalhando para que a cidade continue sendo referencia em políticas públicas, qualidade de vida da população, planejando e minimizando riscos e catástrofes".


Está ainda, entre as principais funções, manter o órgão central do Sistema Nacional de Defesa Civil (SINDEC) informado sobre as ocorrências de desastres e atividades; Executar a distribuição e o controle de suprimentos necessários em situações de desastres; Implantar o banco de dados e elaborar os mapas temáticos sobre ameaças, vulnerabilidade e riscos de desastres; Estar atenta às informações de alerta dos órgãos de previsão e acompanhamento para executar planos operacionais em tempo oportuno.

O COMDEC é formado por representantes vinculados aos órgãos governamentais e da sociedade civil organizada. A Coordenadora Municipal de Defesa Civil, Márcia Aparecida Moreira e Souza, será a presidente do novo Conselho. A formação do Conselho, com representantes de diferentes instituições e setores da sociedade, fortalece a atuação do Governo e minimiza os efeitos danosos das forças naturais, além de unir forças para implantar um banco de dados eficiente e completo com objetivo de elaborar os mapas temáticos sobre ameaças, vulnerabilidade e risco de desastres.

Composição Representantes de órgãos Governamentais: 

a) Representante da Câmara Municipal Lacimar Cesário da Silva (reconduzido)

b) Representante da Polícia Civil / 3a Delegacia de Polícia Civil 1º DRPC/7º DEPPC Hebert Roberto Leite Oliveira

c) Representante da Polícia Militar de Minas Gerais/ 51a Cia. de Polícia Militar Tenente PM Sérgio Wallace Januário

d) Representante do Poder Judiciário/ Fórum de Itaúna Gláuber Lúcio de Souza (reconduzido)

e) Representante do Corpo de Bombeiros Militar / MG 2ª Pelotão da 2º Cia / 10º Batalhão de Bombeiro Militar 1. Sargento Anderson Mauro Costa de Oliveira,

f) Representante da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Kenderson Antunes Andrade

g) Representante da Secretaria Municipal de Saúde Marilange Ferreira Borges

h) Representante da Secretaria Municipal de Assistência Social Mariana Silveira Aquino

i) Representante da Secretaria Municipal de Regulação Urbana Gláucio Martins de Souza (reconduzido)

j) Representante do Serviço Autônomo de Água e Esgoto – SAAE Antônio Fernandes Quadros

Representantes de órgãos Não Governamentais: 

a) Representante do Rotary de Itaúna “Cidade Universitária” José Alves Ferreira

b) Representante da Loja Maçônica “Mestre Chauer Chequer” Elton Moreira

c) Representante da Paróquia de Sant'Ana Everaldo Carneiro

d) Representante interino da Associação dos Evangélicos de Itaúna – ASSEVI Israel Antônio Lúcio Neto

e) Representante do Centro de Desenvolvimento Social e Empresarial CDE Afonso Henrique da Silva Lima.

* Foto e texto: Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Itaúna

sexta-feira, 19 de abril de 2019

A sentimentalidade poética disruptiva de João da Cruz

Por mais que minha fé, por vezes, seja fragilmente cambaleante e o agnosticismo insista em guiar-me a razão, fato é que possuo um respeito absolutamente “oblato” à Semana Santa e ao que se reverencia nesta data: a caminhada rumo à morte de cruz e gloriosa ressureição de Nosso Senhor Jesus Cristo, o ungido salvador de toda a humanidade. 

Neste sentido, quero compartilhar um hábito que tenho mantido ao longo dos últimos 18 anos (desde que participei de uma encenação teatral na Semana Santa): na sexta-feira da paixão, dedico-me à leitura de poemas “religiosos” e “transcendentais”. 

Independentemente da crença em si, ou mesmo da estética poética, debruço-me sobre esse gênero poético para sentir, pois são, via de regra, composições bastante carregadas de uma singular sentimentalidade. O que chamo atenção aqui é o rito, os versos desejantes e a manifestação humana do sagrado. 

Um dos constantes poetas desse dia marcante tem sido o célebre espanhol São João da Cruz (nascido João de Yepes em 1542 e morto em 1591), considerado “doutor místico” pela Igreja Católica (assim proclamado pelo Papa Pio XII em 1926). 

Sua vida foi marcada, por um lado, pela dor infligida-lhe pela dura realidade externa, e por outro pela alegria da descoberta crescente de uma vasta e luminosa realidade interior. 

Para São João da Cruz, não se pode “explicar com palavras o que com palavras não se pode exprimir”. Ele sente de uma maneira comovente e se vale dessa sentimentalidade disruptiva para compor versos arrebatadores. 

Não é fácil compreender os versos místicos dele sem acompanhamento de comentadores, mas ouso compartilhar aqui uma composição (para se ter a ideia da força transcendental-semântica): “Chama de Amor Viva” - “Canções da alma na íntima comunicação de união de amor com Deus” (Granada 1582- 1584): 

1. Oh! chama de amor viva 
Que ternamente feres 
De minha alma no mais profundo centro!  
Pois não és mais esquiva, 
Acaba já, se queres, 
Ah! Rompe a tela deste doce encontro. 

2. Oh! cautério suave! 
Oh! regalada chaga! 
Oh! branda mão! Oh! toque delicado 
Que a vida eterna sabe, 
E paga toda dívida! 
Matando, a morte em vida me hás trocado. 

3. Oh! lâmpadas de fogo 
Em cujos resplendores 
As profundas cavernas do sentido, - 
Que estava escuro e cego – 
Com estranhos primores 
Calor e luz dão junto a seu Querido! 

4. Oh! quão manso e amoroso  
Despertas em meu seio 
Onde tu só secretamente moras:  
Nesse aspirar gostoso, 
De bens e glória cheio, 
Quão delicadamente me enamoras! 

Chama de Amor Viva – Fonte: SCIADINI, Patrício.(Org.). Obras completas. 7. ed., Petrópolis: Vozes, 2002, p. 37 e 38. A fotografia: Escultura de São João da Cruz, na Igreja das Carmelitas Descalças, em Sevilla, na Andaluzia. Obra de Pedro Roldán.

domingo, 31 de março de 2019

O pódio e o corredor

Corrida do América-MG. BH, 31 de março de 2019.
Correr é preciso...

O objetivo nunca foi chegar ao pódio. Mentiram para você. O pódio não existe. É mais uma das tantas ficções forjadas pelos homens. O objetivo é o caminho em si, superando as dores e vencendo, um a um, os vários limites pré-estabelecidos.

A meta é correr em paz com a sua alma, sem pesos de consciência e sem contusões no coração. O foco é manter intacta a fé em si mesmo e a verdadeira força não se encontra nas pernas tonificadas, mas no espírito leve.

Corra para se libertar das amarras e das algemas que os outros lhe impuseram. Correr é um exercício de liberdade.

terça-feira, 5 de março de 2019

O aguerrido carnaval da Mangueira


Foto: Rodrigo Gorosito / G1.

De tudo o que aconteceu, de norte a sul do país, neste carnaval, o grande destaque ficou por conta do intrépido desfile da Estação Primeira de Mangueira no Rio de Janeiro.

A escola de samba teve a ousadia de levar para a Sapucaí um enredo que reconstruiu a história do Brasil por meio de heróis da resistência, negros e índios.

O enredo “História pra ninar gente grande” foi de responsabilidade do carnavalesco Leandro Vieira que, em entrevista, enfatizou: “A abolição (da escravidão) foi um resultado e não uma consequência de uma concessão dada por uma princesa... O olhar da Mangueira é para isto: desmitificar a história oficial e apresentar novos heróis”.

Na Marquês de Sapucaí, a verde e rosa mostrou que o esforço para eliminar a diferença sempre fez parte da história humana e, particularmente, brasileira. Todos os direitos e liberdades de que “usufruímos” nos dias hodiernos foram fruto de uma árdua e lenta conquista. Conquista, benevolência não.

“O Brasil tem cara de cariri”, diz a letra do samba-enredo. Habitantes originais do sertão brasileiro, os cariris foram perseguidos e massacrados, sobretudo no século XVII. A valente sobrevivência dos indígenas e sua cultura, assim como o fim da escravidão não vieram por bênçãos celestiais, mas pela luta do povo – isso está translúcido na corajosa letra da Mangueira.

A menção a Marielle, após a citação da revolta dos malês, mostra que a tragédia do genocídio que nos perpassa a história continua, assim como a impunidade e a injustiça. Mas a voz da Mangueira não nos deixa silentes diante de tudo isso. Vocaciona uma nação inteira ávida por resistência, justiça e paz.

“Todo carnaval é uma manifestação séria disfarçada de brincadeira”, lembrou o carnavalesco da Mangueira. “A brincadeira pode e deve fornecer material para a reflexão”. O samba enredo corria o risco de ser triste, mas ninguém ali chorava de tristeza, mas sim sambava com alegria porque o que ocorreu no desfile foi uma celebração da história do povo brasileiro, de quem lutou e luta com destemor para viver com alegria, em meio a tantas opressões e desilusões.

De tão bela e forte, a letra merece ser compartilhada na íntegra:

“Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500
Tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não tá no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara
Tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati
Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos brasis que se faz um país de lecis, jamelões
São verde e rosa as multidões”.

A grande lição da Mangueira se resume nisto: Em nossa história, nada veio de graça. E gratuitamente nada virá. É preciso lutar.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Existência Verde: Diálogo e Pacifismo

Alisson Diego e Eduardo Jorge
O grande desafio destes tempos obnubilados é pautar a convivência harmoniosa com a natureza como pré-condição para a vida no planeta. É isso que estamos discutindo aqui na Convenção Nacional do Partido Verde, neste final de semana, em Brasília. Não se trata de uma pauta imediatista e que visa, portanto, ao mero incremento do famigerado desempenho eleitoral. Trata-se de uma visão essencialmente estratégica para a humanidade e de uma discussão sobre o planeta que temos e o planeta que queremos.

Por isso, o tema desta convenção é: “Existência Verde”. É preciso rediscutir o modo de vida focado exclusivamente no consumismo e centrado no ter. A humanidade e a natureza merecem um futuro! Estou convicto de que mais dia, menos dia, o brasileiro sairá da condição de apostador do salvacionismo que tem caracterizado os pleitos nacionais. Há de chegar o tempo da razão, da construção coletiva e da extinção completa do complexo de vira-latas que insiste em nos perseguir.

Saliento que acredito no diálogo construtivo com todos (sem exceção), na coexistência, no pacifismo e no amor - não há política sem essas bases. Não deve haver, pelo menos. Esses e outros temas (Guimarães Rosa e pós-modernismo, por exemplo) tratei com o ícone Eduardo Jorge, inspirador de muitos de nós que almejamos construir um mundo melhor, mais justo, ético, sustentável e consciente.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Um tango para Boechat

Alisson Diego *    

Sou um homem de rotinas. Não me confunda, entretanto, como alguém previsível. A imprevisibilidade faz parte de minha latina personalidade aventureira. Mas da rotina em si mesma eu gosto.

Todos os dias pela manhã, sintonizava o meu dial na Band News FM e começava o dia na companhia de Ricardo Boechat no comando do inconfundível Café com Jornal. Ouvia mais ou menos até o imperdível diálogo com o inoxidável José Simão. E, após me informar, me indignar e rir bastante, ia trabalhar. Foi exatamente assim durante vários anos.     

De dois anos para cá, o hábito matutino passou a ser indesviável. Boechat me acompanhou nas estradas todos os dias de semana. Sim, rigorosamente de segunda a sexta-feira! De Belo Horizonte a Itaúna, de Itaguara a Itaúna... Religiosamente, começava o dia ouvindo e, de certa forma, interagindo com o âncora.    



Meu quase velho Renegade verde está com pouco mais de 90 mil quilômetros rodados. Sem hiperbolizar, posso dizer que pelo menos uns 45 mil passei ouvindo o Boechat. Por isso, a relação não era apenas entre ouvinte e âncora – tornou-se algo mais substancial. Havia ali uma identificação e uma admiração presentes.    

Agora, quando ligo o rádio às 07h30, a voz de Ricardo Boechat, o corajoso jornalista e ávido defensor do interesse público, não está mais lá – para a tristeza geral da nação. Não o ouvirei mais criticar os políticos e os privilégios, rir contagiosamente com o Simão, esbravejar com o Judiciário, indignar com a criminalidade galopante, xingar os bandidos, deblaterar com a impunidade, criticar os falsos profetas e comentar as notícias com argúcia, ancorando a vida diária da gente.    

Não haverá, por ora, voz que me represente, que traduza as minhas desesperanças e esperanças todas ao mesmo tempo (só um brasileiro nato pode entender esse espírito de antíteses constantes), que fale com emoção por mim, que canalize todas as minhas líticas indignações de brasileiro médio, cansado dos mesmos problemas que atravancam o país anos a fio.  

No dia seguinte ao fenecimento de Boechat, meu rádio não conseguiu sintonizar o Café com Jornal. Mas ouvi um tango meio triste em homenagem ao âncora - o mais brasileiro de todos os “argentinos” e o mais latino de todos os brasileiros:    

El Tango de La Muerte   
(Carlos Gardel)    

No tengo amigos,  
no tengo amores,  
no tengo patria,  ni religión.  
solo amarguras tengo en el alma  
y juna malaya mi corazón.  
Mas no por eso yo me lamento  
pues siempre tengo en la ocasión,  
para mis quejas una milonga;  
para mis penas una canción.    

Que me importa de la vida,  
si nadie me va a llorar.  
Quien me lloraba se ha muerto  
y esa muerte me ha matao  
Desde entonces desafío  
al jilguero y al zorzal,  
quien mejor cantando ahoga  
las tristezas de su mal.    

Milonga mía no me abandones,  
Tenerte siempre quiero, a mi lao.  
Que no me falte cuando yo muera
una milonga para cantar.    

Se ele pudesse ler este artigo um tanto quanto sentimentalista (ainda mais com esses versos de Gardel), já o imagino contrariado a rir e retrucar: “Que coisa mais dramática! Menos, bem menos, minha gente... A morte é tão somente um capítulo da vida. Toca o barco”.    

Este neonato 2019 está tragicamente difícil, mas é preciso tocar o barco. Toquemo-lo!    

* Alisson Diego Batista Moraes.    

PS: Como não poderia deixar de acontecer nestes tempos insanos, haters, radicalistas e desinformados infestaram as redes sociais de infâmias e mentiras após a morte de Boechat. Quem o acompanhava e costuma investigar fatos antes de propalar inverdades, sabe bem que o jornalista sempre se pautou pelo respeito a todas as crenças religiosas. Ricardo Eugênio Boechat exerceu, durante toda a sua carreira, um papel reconhecidamente democrático, com fortes críticas pontuais sim, mas a maioria delas de maneira coerente e justa. Pode ter exagerado vez ou outra, o que não invalida a sua brilhante trajetória jornalística, irrefutavelmente comprometida com o interesse público. Fará muita falta. Muita.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Itaúna sediará 8º Congresso Mineiro dos Serviços Municipais de Saneamento

O evento está previsto para acontecer no mês de outubro e contará com a participação de várias cidades do Estado de Minas.

Na terça-feira (05/02), em Assembleia da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento de Minas Gerais -Assemae Minas, da qual o Serviço Autônomo de Água Esgoto-SAAE de Itaúna é associado, o Município foi confirmado como sede para a realização do Congresso (foto).

 

O tema, por enquanto, não foi decidido, mas o evento provavelmente irá fomentar debates sobre a importância de se garantir melhorias na gestão municipal do setor de saneamento e sustentabilidade.

A programação inclui palestras, minicursos, apresentações de experiências exitosas e visita técnica, e contará com a participação de gestores públicos, técnicos, representantes do Governo Federal, pesquisadores, lideranças de organizações não governamentais e acadêmicos.

Já está prevista uma reunião com a Comissão de Eventos da Assemae, para a segunda quinzena de junho, que tratará de questões sobre a organização do 8º Congresso, previsto para os dias 9,10 e 11 de outubro.

Um dos objetivos da Autarquia é apresentar, por meio de visita técnica, a Estação de Tratamento de Esgoto-ETE, a qual tem a previsão de ser inaugurada em setembro deste ano, caso não haja nenhum imprevisto.

O que é a Assemae?

A Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento – Assemae é uma organização não governamental sem fins lucrativos, criada em 1984. A Entidade busca o fortalecimento e o desenvolvimento da capacidade administrativa, técnica e financeira dos serviços municipais de saneamento responsáveis pelos sistemas de abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo dos resíduos sólidos e drenagem urbana.

A Associação possui reconhecimento e credibilidade nacional e internacional, reunindo quase dois mil associados no Brasil. Em defesa da universalidade do saneamento básico e melhoria da gestão pública, a Assemae se faz presente nas diversas esferas do Governo Federal, participando do Conselho das Cidades, Conselho Nacional de Saúde, Conselho Nacional de Recursos Hídricos, conselhos estaduais de saneamento e comitês de bacias hidrográficas, entre outros.

Ao longo de sua história, a Associação discutiu propostas municipalistas históricas, como a destinação de maior parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS para o saneamento, as campanhas sanitárias contra a dengue e cólera, a luta pela manutenção do Ministério da Ação Social, e ainda as inúmeras mobilizações pela criação de legislação específica para o setor, a exemplo da Lei do Saneamento (11.445/2007), Lei dos Resíduos Sólidos (12.305/2010), Lei dos Consórcios Públicos (11.107/2005) e Lei dos Recursos Hídricos (9.433/1997).  

Fonte: COMSAAE

Sobre os Gurus

Compartilho, a seguir, texto do eminente professor Roberto Romano. Recomendo muito a leitura (sobretudo a todos nós que, de alguma maneira, vivemos os ares acadêmicos):

Sobre os Gurus

Nossa época é o tempo dos gurus. Existem mestres para tudo: cozinha, economia, ciência política, filosofia, teologia, crime organizado, orgias, etc. É a era dos personal training em tudo e para todos. “Conselhos” são aceitos e procurados com avidez, consumidos também de modo célere, jogados no lixo quase instantaneamente. E segue a busca de novos gurus, novos assuntos, nova moda. Claro, a literatura vai na onda. Por mais que Umberto Eco advirta, o mundo da tecnologia imbeciliza com método.

Outro dia, procurando uma tese política de Leibniz (sim, o grande matemático e físico escreveu sobre teologia, direito, diplomacia, economia, etc...) parei numa página profética. A traduzo aqui de modo imperfeito, para dar ideia do que ele advertia e se cumpre hoje.

“A peculiaridade de um intelectual também possui o péssimo efeito de prover ocasião para seitas e para o desejo da falsa glória que atrasa o progresso. Um intelectual tem opiniões que ele imagina sutis e relevantes. Logo ele quer se tornar a cabeça de uma seita. Ele trabalha portanto para arruinar a reputação dos outros. Ele fará um livro de mágico erudito, ao qual seus discípulos se acostumam, pois sentem-se incapacitados de usar a própria razão sem tal livro. Para ele é fácil os cegar para conseguir a glória de ser o seu único líder. O público, no entanto, perderá tudo o que as boas mentes poderiam fazer, mas não fazem por estarem numa seita, se elas perdem a liberdade e a diligência que agora lhes falta, pois acreditam suficiente o aprendido com o mestre. Bom entendimento e comunicação destroem tal comportamento. Então alguém reconhece facilmente que não deveria limitar a si mesmo às doutrinas do seu mestre, e que um só homem conta pouco diante da união de muitos. Então alguém dará a cada um a justiça que merece, na proporção em que contribui para o bem comum”. Uso a tradução inglesa : “Memoir for Enlightened Persons of Good Intention (1690). Leibniz, Political Writings, Ed. Patrick Riley, Cambridge University Press, 1988, pp. 109-110.

Quantos na universidade de hoje (e de ontem) pertencem a seitas... Caíram as grandes ortodoxias (liberais, estalinistas, positivistas, freudianas, etc). Em seu lugar surgiram as pequenas : seguidores de Foucault que não leem outros escritores, de Agamben, de Heidegger, de....a lista é interminável. Vai dos mais elevados (Leibniz na sua crítica visava Descartes) aos mais baixos, dos mais progressistas aos que indicam ministros de educação em governos retrógrados, etc. Mas permanece a ortodoxia. Estive em bancas onde temas relevantes para a humanidade eram reduzidos à visão de um só teórico. Quando o candidato era confrontado por outros filósofos, na lembrança dos examinadores, respondia sempre que para o “seu” escritor, o problema estava resolvido ou era irrelevante. Teses inteiras na ótica de um só guru.

É bom estudar determinado autor, mas seus enunciados devem ser postos sinoticamente, quando o assunto é igual, diante de outros. Existem “especialistas” em Foucault, Agamben, etc. Que tais autores sejam conhecidos, lidos, comentados. Mas se “tudo” está neles, entramos no que Leibniz diz dos sectários : não conseguem pensar sem os livros do mestre.

Já contei a anedota verídica ocorrida comigo tempos atrás. Estava eu em férias na bela Ouro Preto, na época em que e mail só por computador. O hotel em que me hospedava tinha uma internet ruim e lenta. Na cidade uma Lan House oferecia serviços rápidos. Entrei certa feita na Lan House e o computador estava sendo usado por uma jovem. Ela imprimia páginas de um texto. Ao lado do computador notei traduções (incertas quanto à qualidade) de Nietzsche. Perguntei: “a senhora estuda Nietzsche?”. Enfarada a moça responde a meios dentes, “sim”. Pergunto: “sob qual ponto de vista o estuda? Me interesso muito por ele”. Resposta : “Nietzsche não é para qualquer um”. Calei-me e esperei que o computador fosse liberado. Ah, ela preparava uma comunicação para a Anpof, que se reunia na cidade.

Volto ao hotel e no lobby encontro uma roda de professores e estudantes. No meio, um grande conhecedor do pensamento de Nietzsche. Ele sai da roda e me abraça, apresentando-me ao grupo: “este é o professor Romano, grande conhecedor de Nietzsche”. A informação era mais generosa do que verdadeira, pois meus conhecimentos sobre o grande escritor são razoáveis, mas não importantes. Valeu a bondade habitual do colega. A senhorita do caso estava na roda. Só faltou para ela um ataque cardíaco... Pois bem: foi preciso a voz do mestre (inclusive pouco veraz pela sua generosidade para comigo) para que ela percebesse que, para além da sua seita, alguém poderia ter luzes para entender o seu estudo.

Leibniz tem razão: como sair do circuito fechado das seitas? “Bom entendimento e comunicação”. Basta deixar o idioleto dos “autores consagrados” e dos “interpretes consagrados”, aceitar que em outros setores as pessoas pensam e conhecem e a verdade não reside nos lábios dos gurus. Se Leibniz fosse ouvido, talvez certos gurus não tivessem poderes tão amplos em nossos dias, tristes dias.

Roberto Romano

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Quanto vale a vida?

A lama, uma vez mais, atinge-nos a alma

Há novamente uma tragédia que nos atinge a todos os mineiros. O segundo desastre com barragens de rejeitos de mineração, com vítimas fatais, em menos de 3 anos. Nosso nome é Minas Gerais, a mineração está em nosso sangue, faz parte de nossa identidade. O nosso gentílico é “mineiro” e todos, consciente ou inconscientemente, “mineiramos”.

TODOS nós, mineiros de todos os cantos, discordamos da forma com que parte da indústria da mineração trata o nosso estado: colocando os lucros acima da vida humana. Impondo os números na frente das pessoas. 

Se há uma tecnologia que minimiza os riscos (como o beneficiamento a seco), por que não implantá-la mais rapidamente? Ou porque não reduzir a operação enquanto não se implanta um novo modelo mais seguro e sustentável? Por uma razão simples: Porque os lucros não podem cessar, mas a vida humana, essa pode correr todos riscos. É assim essa gente pensa! 

Quanto custa uma vida humana? R$ 1 milhão de indenização? Quanto custa implantar o beneficiamento a seco? R$ 1 bilhão? O cálculo que eles fazem é simples: compensa o risco. 

A Vale tem um plano para, até o ano de 2025, reduzir o uso de barragens e produzir menos 700 milhões de toneladas de rejeitos. Porque não antecipou o plano ou diminuiu as operações até se estabelecer o novo sistema? Porque o lucro não pode cessar. Já a vida humana, bom, deixa isso que os advogados resolvem as indenizações. Agora vem os diretores chorando dizendo que estão “com os corações dilacerados”. Poupem-nos desses dramas baratos! Deles não me compadeço. Merecem a condenação irremissível da história e da justiça. O que dilacera meu coração é saber que nossa morosa justiça garante que eles estarão, dentro em breve, em suas mansões na Barra da Tijuca tomando suas bebidas grã-finas e “lembrando da dor” que sentiram neste momento difícil. 

A história condenará eternamente a Vale e todos aqueles que insistem em reduzir a vida humana a LAMA. 

Aos irmãos de Brumadinho, a mais irrestrita solidariedade e compaixão! Seu sofrimento é NOSSO. Sem mais palavras. Estamos de luto e revoltados!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Itaguara: 75 anos de emancipação política



Hoje comemoramos um aniversário muito especial. Itaguara, essa jovem e altiva senhora, completa, neste derradeiro dia de 2018, 75 anos de emancipação política. Data simbólica porque sabemos que uma cidade é a soma de toda a sua história - dos cataguás até nós.

Nestes versos escritos há cinco anos e que compartilho agora, homenageio nossa terra, identificando um traço comum em todos os itaguarenses: a itaguarescência, a soma do itaguarescer e do itaguarizar - da abstração e da corporeidade, do visível e do que sentimos - aquilo que faz muito do que somos.

A itaguarescência está contida na mineiridade - inescapáveis identidades nossas.

Parabéns, Itaguara!

Itaguarescência
(Alisson Diego)

O pertencimento solidário
Geógrafa identidade
Certidão de inserir-se mineiro

Gente que nasce e se fazendo se torna
O próprio lugar da gente

Pelas vertentes centrais do centro-oeste metropolitano de Minas
Há Itaguara
O lugar, o povo, o céu, as águas e os pores de sol
Singular peculiaridade no mundo

Itaguarescer
É labutar sem sono
Suar sem reclamos
E ainda agradecer

Itaguarescer Também é se dar aos pequenos prazeres
Que colorem o existir de sentido e flores
O céu estrelado, as muitas árvores multiformes
Os sons do mato, as andorinhas a rodear faceiras a torre da igreja

Itaguaresço-me
Ao escutar as noites de luares hemiciclos
E as chuvas com cheiro tímido de verde-natureza
É a fantástica magia da realidade simples
É Minas deveras Gerais gentes arraigadas

Itaguaresço-me
Quando contemplo os pores-de-sol
Multicoloridos de canto a canto da Conquista
Quando ouço os mugidos sinfônicos das criações
Os farfalhares, chilreares, berros, grasnados, cantares, uivos e assobios

Num canto nobre da alma Itaguarescida
Escuta-se os cantos entranháveis dos cataguas, sapucaias
Amyipagûana

O itaguarense Sertanejo-citadino-universal
Adjetiva-se de mineiridades inescusáveis

É o café
O leite
O pão de queijo
O queijo
A broa de fubá
O gado
A lida
A fé
A botina, o canivete, o chapéu e o pito de palha escondido
no fundo do bolso raso da calça gastada mas remendada caprichosamente
(porque o desperdício não pode)
A conversa, o banquinho, o convite, a visita:
_ Senta!
_ A demora é pouca.
_ Almoça!
_ Uai...

É o pai, o avô,
O bisavô e o tataravô
Tradição
Mamãe, vovó, bisavó
Sensíveis tradições e humildades herdadas

É recusar agradecendo e desejando
Aceitar recusando
E agradecer muito

Itaguarizar-se
Para seguir na estrada,
Tocar a lida

Itaguarizo-me
Na pataca
Na serrinha
Nas estradas poeirentas bonitas
Pelas ruas simples de magia e gentes
Nas conversas despretensiosas demoradas na venda do Zé Ananias
Entre fumos de rolo, velas de santo e livros de filosofia antiga

Itaguarizo-me
Quando amanheço após noite  de turbulento sonho
Cruz-credo

O itaguarense
Transcende palavras
Fala por sorrisos aquiescentes e olhares exprobos
Mantém a fé na humanidade e a desconfiança em si próprio
E ora
Sem esperar milagres
Mas acreditando que os impossíveis se fazem quando se merece
Ou é tudo mistério do Deus
Supremos inexplicáveis

É preciso confiar no manto
Da santa que sofre e chora a dor da perda do filho
Que por acaso é Deus

Ser Itaguarense
É exceder-se algumas vezes
para equilibrar-se para o todo até o fim

Ser itaguarense é não ser melhor
Nem pior
É só ser
Ente

Ser itaguarense
É superar itaguarices
E Itaguarescer-se
Itaguarizar-se

É ter um pé no interior e outro na capital
E conservar a alma no interior

É viajar pensando em voltar
E sorrir sozinho despistado
quando a serra de Itaguara se descortina em pontinhos de luz:
Alá ó, Itaguara!

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Quando eu falo de corrida

Circuito das Estações 24/11/18

Compartilho, a seguir, artigo publicado no Jornal Cidades (edição: dezembro de 2018):

Quando eu falo de corrida *  

Já que a principal temática do JC deste mês é saúde e longevidade, fiquei inspirado a escrever sobre uma atividade que mudou a minha perspectiva de vida e me fez um ser humano mais saudável, autoconfiante, disciplinado e melhor: a corrida de rua.  

Comecei a praticar caminhadas médias (3 quilômetros ao dia) dos 12 para os 13 anos de idade, por recomendação médica – eu tinha um pequeno problema no joelho (algo decorrente da fase de crescimento juvenil) e estava totalmente proibido de jogar futebol. O ludopédio (é cada nome que inventam para o esporte nacional) era a minha primeira paixão esportiva como tinha que ser – aos 9 anos, vi a seleção de 94 conquistar o tetra e aquilo me deslumbrara como a todos de minha geração. Mas o futebol não era uma opção naquele momento e o médico foi categórico: “Apenas caminhadas e, mesmo assim, leves”.  

Das caminhadas “leves” para a corrida foi um pulo. Achava um tanto quanto insosso ficar apenas caminhando, caminhando lentamente vendo as paisagens passarem... A vontade de correr foi um impulso natural. Nessa época, eu era um pré-adolescente gordinho e as corridas também começaram a fazer efeito: fui emagrecendo paulatinamente, ganhando autoconfiança e aumentando as distâncias. As caminhadas leves ficaram para trás e corria 6 km por dia.  

Após quase um ano correndo, emagreci suficientemente e, milagrosamente, o meu problema de joelho simplesmente havia desaparecido. Mas, aos poucos, fui deixando de lado as corridas para voltar aos esportes coletivos: futebol, futsal e voleibol.  

De volta a Itaguara (após morar uma década fora da cidade com minha família), aos 16 anos idade, a convite dos amigos da Acrita (Associação dos Corredores de Rua de Itaguara), voltei a praticar corrida de rua. Tomás, Reginaldo, Bila, Juarez e os outros corredores eram muito velozes e incentivam os mais guris como eu. Cheguei, naquela época, a conquistar um pódio (terceiro lugar na categoria 16-19 anos) nas célebres corridas na Avenida dos Andradas, em BH, que eram organizadas pelo Ricardinho (o popular Mister Bus) nas manhãs de domingo uma vez por mês. Foi naquele tempo também que corri a minha primeira Volta da Pampulha. Era 2001 e, apesar de correr com um tênis nada propício, completei os 18 km com cerca de 1h25.  

Depois veio a faculdade, o trabalho e parei de correr por “imposições do tempo” - uma desculpa super esfarrapada porque quem quer acha tempo para o que realmente importa na vida – os psicólogos explicam muito bem). Fato é que a corrida havia deixado de ser uma prioridade.  

Há uns seis anos, voltei a correr disciplinadamente. Tive de emagrecer muito, voltar a pegar o ritmo, re-acostumar o corpo. Agora, tomei uma decisão: Não paro mais de praticar corrida, a menos que alguma imposição natural da vida me impeça. Não é que tenha me tornado esportista profissional, muito longe disso (não dispenso, por exemplo, eventualmente, alguma bebida aos finais de semana), mas a questão fundamental é que a corrida me transformou em uma pessoa muito mais disciplinada, confiante, previdente e sensata.

No ano passado, um fraterno amigo, presenciando o meu entusiasmo existencial pela corrida de rua presenteou-me com um livro que recomendo fortemente a todos aqueles que correm ou desejam correr: “Do que eu falo quando eu falo de corrida”, de Haruki Murakami. O escritor japonês mudou totalmente a sua vida quando começou a correr. E ele já não era jovem! Iniciou com mais de 30 anos de idade e já completou várias maratonas. Hoje, aos 69 anos, o premiado literato ainda corre e muito: cerca de 10 km por dia e vive viajando e participando de provas ao redor do mundo (correu várias maratonas e ultra-maratonas).

Separei duas frases do Murakami, nessa obra literária supra comentada, para inspirar você leitor que, se chegou até aqui, no mínimo, se interessou pelo assunto e pode estar disposto a iniciar neste esporte altamente aprazível e realizador:  

*  “Não me levem a mal – não sou totalmente anticompetitivo. É apenas que, por algum motivo, nunca me importei muito se derroto os outros ou se perco deles. […] Interesso-me muito mais por atingir os objetivos que fixei para mim mesmo, de modo que, nesse sentido, corridas de longa distância caem como uma luva para uma disposição de espírito como a minha”.  

*  “Não interessa quanto eu fique velho, mas enquanto eu continuar a viver, vou sempre descobrir alguma coisa nova sobre mim mesmo.” É exatamente o que a corrida fez e faz comigo: a cada dia me entendo e me conheço melhor.”  

PS: Ah, um conselho: antes de começar a correr, procure um médico, faça exames regularmente e sempre mantenha esse acompanhamento. Além disso, faça fortalecimento muscular numa academia. É absolutamente essencial.

* Alisson Diego Batista Moraes, 33, advogado, MBA em Gestão de Empresas (FGV) e acadêmico de Filosofia pela UFMG. Foi prefeito de Itaguara entre 2009 e 2016 e, atualmente, é secretário de Planejamento e Governo de Itaúna-MG. É também um entusiasmado corredor amador.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Congresso Mineiro dos Serviços Municipais de Saneamento em Itabirito

Alisson Diego e Wagner Melillo - novembro de 2018


O 7° Congresso Mineiro dos Serviços Municipais de Saneamento aconteceu de 21 a 23/11, em Itabirito (MG), contou com a presença de gestores públicos, técnicos, estudantes e expositores que atuam na área de saneamento básico.

O presidente da Assemae Regional de Minas Gerais e diretor-presidente do SAAE de Itabirito, Wagner Melillo, ressaltou a necessidade de unir os municípios em busca da qualidade dos serviços de saneamento. “Estamos aqui para trocar experiências, conhecer novas tecnologias e fomentar soluções. É por meio dessa troca de conhecimento que vamos seguir em frente e conquistar o nosso espaço. Nós somos capazes de fazer saneamento básico com eficiência, investindo na capacitação e fortalecimento dos municípios”, frisou.

Representando a Presidência Nacional da Assemae, o vice-presidente da entidade, Alessandro Tetzner, parabenizou a iniciativa da Regional de Minas Gerais, ao mesmo tempo em que destacou a importância do evento para o avanço do saneamento municipal. “A Assemae está à disposição dos municípios no sentido de apoiar, fortalecer e capacitar os profissionais do setor. Nossa missão é estimular o protagonismo dos municípios na gestão do saneamento, reconhecendo a competência e dedicação dos gestores e técnicos locais”, acrescentou.

O secretário de Planejamento e Governo de Itaúna, Alisson Diego, prestigiou o evento e entregou uma carta com a intenção de Itaúna sediar o evento em 2019, que recebeu boa acolhida por parte da direção da Assemae Minas Gerais. "Parabéns Melillo e Itabirito pelo belo Congresso - oportunidade de congregar ideias em favor de uma gestão pública cada vez mais eficiente. Ao que tudo indica, Itaúna deverá ser a sede do Congresso Mineiro de 2019. Estamos felizes porque demonstra o protagonismo itaunense, em especial, do SAAE Itaúna - referência em boa gestão de saneamento em nosso estado", ressaltou Diego.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Personagens da História Itaguarense: João Luis de Oliveira Campos

Tenente Coronel João Luis
de Oliveira Campos

João Luis de Oliveira Campos (*1834  + 1914) hoje é o nome de uma das cinco equipes de ESF (Estratégia de Saúde da Família) de Itaguara-MG. Ele faleceu há 114 anos, mas a sua história não pode ser esquecida e, por isso, compartilhamo-na aqui neste espaço (autoria da professora Maria Geralda Costa):

                                                                          *  *  *

O Tenente Coronel João Luís de Oliveira Campos foi dono da Fazenda da Mata, cuja sede é hoje residência de D. Eneida de Oliveira Malta. A casa sofreu reformas, mas guarda a mesma estrutura. A parte de cima era a residência da família e a de baixo a senzala. Ele possuía muitos escravos. Embora fosse tido como “bom senhor de escravos”, meu avô, seu filho, dizia guardar tristes lembranças do tempo da escravatura. Lamentava ter vivido nessa época.

Ele casou-se em primeiras núpcias com Mariana Francisca de Paula, filha dos antigos donos da Fazenda do Pará. Portugueses, Coronel João Luis e D. Mariana tiveram os seguintes filhos: ­­

- Cipriana Vilela de Oliveira Campos, nascida em 1871, esposa de Teotônio Rodrigues Pereira;

- Bárbara Vilela de Oliveira, esposa do primo, Coronel Joaquim Vilela Frazão, homem de muitos bens; não tiveram filhos. Seu testamento recomendava bens para construção de uma escola. É a nossa escola Coronel Frazão.

- Antônio Luis de Oliveira Vilela, esposo de Gabriela Luisa de Oliveira. Ele foi delegado, é o personagem "Major Anacleto", na obra de Guimarães Rosa. É tataravô do ex-prefeito Alisson Diego Batista de Moraes.

- Luis Vilela de Oliveira Campos (meu avô) cuja esposa Arminda Luisa de Oliveira era irmã de Gabriela.

- José Luis de Oliveira Vilela que se casou com Francisca Dias de Oliveira Leite, natural de Congonhas (avós de D. Hélia de Oliveira Vilela).

- Maria das Dores de Oliveira Campos (D. Dorica – patrona da casa de D. Dorica) esposa do farmacêutico Arthur Contagem Vilaça, natural de Crucilândia.

- Maria do Carmo Vilela Oliveira (bisavó da curadora do Musa - Maria Rita) , casada com Antônio Rodrigues de Oliveira.

O título de Tenente Coronel lhe foi conferido pelo Império. A patente e a espada doadas na época que recebeu o título estão com descendentes seus. A espada, com bisneto de Coronel Antônio Luis e a patente, com um bisneto de D. Cipriana.

Naquela época por aqui não havia médico e nem farmacêutico. Coronel João Luis cuidava da saúde de nosso povo (havia outros que faziam o mesmo). Dizem que seus remédios eram bem acertados. Quando alguém insistia querendo um diagnóstico, sua resposta era categórica. “Pode ser que seja e pode ser que não seja”! Conhecemos em Oliveira, D. Amanda que dizia ter sido curada por ele. Ela sofria algo nos olhos que muito a incomodava. Ele deu uma picada no seu dedo e com seu próprio sangue a curou! D. Amanda era uma velha ex-escrava.

Ele procurava estudar. Um de seus livros, Guia Pratico da Saúde, editado pela “Casa de Publicação Brasileira” de São Paulo, ainda existe e pertence hoje ao veterinário Fábio de Oliveira Ribeiro (bisneto). Tem-se a impressão que seu amor à medicina passou aos seus descendentes. São 24 os médicos de sua descendência .

Dezessete deles descendem do casal Cipriana e Teotônio. Também João Rodrigues que desempenhou cargos importantes na Arquidiocese de Belo Horizonte era filho deles. Os netos do Coronel João Luis e D. Mariana os chamavam de pai João (parecendo mais "Pajão") e Mãe da Mata .

O Coronel João Luis ficou viúvo em 02/02/1906. D. Mariana morreu aos 67 anos. D. Dorica ainda era solteira. Foi entregue pela mãe à irmã mais velha Cipriana. Era desejo de sua mãe vê-la casada com farmacêutico Arthur Contagem Vilaça, sete anos mais novo. Desejo realizado! D. Dorica era moça prendada. No colégio da tia Lilita em Oliveira, aprendera piano, pintura, etc.

Em julho, cinco meses após o falecimento da sua esposa, Coronel João Luis contraía novas núpcias com Belmira Ana de Oliveira, menina moça de 13 anos. Segundo recordações de familiares, ela possuía muitas jóias. Parece que o velho de 72 anos se encantara com a jovenzinha esposa!

Coronel João Luís adquiriu, no arraial, uma casa pertinho da matriz, onde hoje é pizzaria da praça. Ali viveu os seus últimos anos de vida. A casa passou a ser da viúva, D. Belmira. Faleceu aos 80 anos e foi sepultado no dia 10/12/1914 em Rio do Peixe, hoje Piracema. Não havia cemitério aqui. Os mais próximos eram os de Pará dos Vilelas e Piracema.

Dados colhidos no Livro: Genealogia de Carmo de Cajuru, de Oswaldo Diomar, lembranças de parentes e amigos. Em todos os lugares a palavra Luis apareceu com s e sem acento. Págs. 660 - 661

Maria Geralda Costa
Itaguara, 14 de outubro de 2013.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Sociólogo João Batista sobre o 2º turno

Compartilho a seguir as palavras do professor João Batista dos Mares Guias (em publicação em suas redes sociais), candidato ao Governo de Minas pela Rede Sustentabilidade, para auxiliar no aprofundamento do debate que nos espera neste segundo turno eleitoral:

*  *  *

Brasil: 

minha posição pessoal sobre o segundo turno eleitoral entre Fernando Haddad (PT) versus Bolsonaro (PSL)
Leio nos jornais de hoje que Ciro Gomes, com o apoio do PDT, deverá declarar "apoio crítico a Haddad", no sentido de um "apoio protocolar, estabelecido que o partido não ocupará cargos em um eventual governo do PT, não participará da coordenação da campanha e fará oposição independentemente de quem seja eleito". 

Como se lê, a posição é clara, é "contra Bolsonaro", é de apoio a Haddad, apesar do PT. É apoio a Haddad sem abdicação da crítica e do distanciamento face ao PT. Portanto, fixa com nitidez posição de independência e de oposição crítica e construtiva em relação ao PT e a um eventual governo do PT, com Haddad presidente.

Concorde-se ou não com ele, Ciro Gomes, penso, agiganta-se como líder político nacional. Em momento tão crucial para o futuro do país ele se expõe e oferece uma orientação geral ao país e aos seus liderados.

Já na seara do PSDB Geraldo Alckmin antecipa a sua posição: nem um, nem outro, isto é, em hora tão crucial, neutralidade! Será essa a posição do PSDB? 

Em busca do desejado apoio do PSDB, em entrevista ao Jornal Nacional, da Globo, ontem, 08/10, Fernando Haddad facilitou ao PSDB uma tomada de posição semelhante à anunciada por Ciro Gomes. Defendeu programaticamente o ideário político e ideológico da socialdemocracia (do qual o PSDB há muito se afastou ou dele abdicou). Demonstrou-se disposto a uma aproximação virtuosa com o centro democrático. Disso ofereceu testemunho ao abandonar a tese lulista e do PT da defesa de uma Constituinte, severamente criticada por muitos e por mim devido à sua raiz ideológica autoritária. Além disso, estabeleceu o moderado senador eleito Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, na coordenação geral da sua campanha, além de promover substituição oportuna no comando da equipe responsável pelo programa de governo. Introduziu na agenda econômica do PT a relevância do enfrentamento e superação da crise fiscal com medidas de reforma fiscal.
Os sinais favoráveis a uma aliança eleitoral rumo ao centro não poderiam ser mais explícitos. Haddad oferece, agora, as primeiras demonstrações de estar no comando da própria campanha.

Bolsonaro versus Haddad e a tese da neutralidade ou "nem um, nem outro"

Há, estabelecido, um resiliente sentimento de anti-petismo visceral. Isso, por gravidade, canaliza apoios eleitorais a Bolsonaro resultantes apenas da negação do PT. Contudo, há também estabelecido um corpo difuso de valores, inclinações e disposições psíquicas e uma mentalidade em formação patentemente de extrema-direita e com forte viés fascista: o ideário comportamental, atitudinal e ideológico autoral do candidato Jair Bolsonaro.
Segue-se um resumo das características desse ideário:

i) supremacia masculina;
ii) intolerância e linguagem sentenciosa e peremptória;
iii) desprezo odioso à realidade humana demarcada pela diversidade em suas múltiplas expressões sociais: gênero, raça, orientações sexuais;
iv) culto à vulgaridade e anti-intelectualismo;
v) pensamento binário: tudo tem dois lados antagônicos, e nada mais, e a resolução passa necessariamente por uma relação de antagonismo cuja resolução se dá pela destruição do outro ( o "outro" sempre percebido e exaltado como "inimigo");
vi) valorização sistemática (coerente e consequente) das baixas paixões e dos instintos mais primários;
vii) desprezo ao diálogo, à busca do esclarecimento, à argumentação, à comunicação desimpedida e à formação de consensos verdadeiros (quer fixar consensos manipulados, fundados em premissas que nunca vão além de preconceitos e contra-valores civilizatórios);
viii) incitação verbal, gestual, comportamental e atitudinal à violência;
ix) culto à chefia salvacionista, vingativa e predestinada a "salvar" o país e o povo contra as forças do caos. Ordem versus pluralismo; comando versus liderança; obediência versus confiança; poder versus governo constitucional; intolerância face ao conflito democrático;
x) e, no extremo - aliás, manifesto - defesa da tortura ("o erro da ditadura foi não ter matado pelo menos uns 30 mil opositores" e o elogio ao torturador coronel Brilhante Ulstra), defesa da ditadura militar, culto à violência.

Como se quer demonstrar, Bolsonaro é a encarnação do autoritarismo, com forte inclinação ao totalitarismo fascista. Patentemente, uma ameaça em ato à democracia, vez que no exercício do "poder" seus contra-valores e - se desimpedidas de contenção - suas práticas tenderiam a fragilizar e a minar por dentro o estado de direito democrático, os valores democráticos e o republicanismo. Ainda que venha a alcançar o governo pelo voto em eleição limpa.

E Haddad e o PT?

O problema propriamente problemático é que Bolsonaro é o filho pródigo e de certo modo desejado-indesejado do próprio PT. Não irrompeu de um nada primordial. Antes, "floresceu" a partir de uma sucessão de graves erros cometidos pelo PT.

O PT escolheu o tortuoso caminho da destruição do centro democrático para conviver com o pântano de um "centrão" amorfo, corruptível, inorgânico e cooptável. 

Primeiro, foi o "Nós contra Eles", patente no fato do PT dar entrada no Congresso Nacional a 49 pedidos de impeachment contra FHC. Isso, mais a oposição sistemática ao Plano Real, à ideia da responsabilidade fiscal, ao ajuste cambial e fiscal - tardios, praticados somente durante o segundo governo -, ensejou a organização, daí em diante desencadeada, da prática da política no país como antagonismo. Nos anos FHC, o PT ganhou a "batalha" ideológica contra um PSDB acovardado, incapaz de defender o seu próprio legado e ideias. Foi dada hora, vez e voz a uma espécie de "comunidade de ódios" recíprocos entre o PT e o PSDB, em um cenário de disputa bipolarizada e cada vez mais visceral.

Adiante, nos governos Lula ocorreram, primeiro, o "mensalão", a que se seguiu o silêncio obsequioso do PT, isto é, nenhuma autocrítica. Tão ruim quanto, fez-se a exaltação heroica de José Dirceu como "preso político", sendo ele réu segundo a lei penal por crime de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Surgia, assim, pela mão e intenção do PT, a "corrupção do bem"! Pois, e afinal, para derrotar a burguesia, somente recorrendo também às artes do demônio, racionalizavam, justificando-se! Por essa via tortuosa, o PT sacramentava o uso continuado e sistemático da corrupção.

Tanto foi assim que somente em 2014 o país tomaria conhecimento, através da Operação Lava Jato, de como, a partir de 2006, a corrupção organizou o poder e os governos do PT, além de financiar fartamente as campanhas eleitorais do partido.

A revolta popular pacífica de 2013 levou a sociedade às ruas. Com ela, pela primeira vez a extrema-direita, ainda meramente comportamental e difusa, contudo organizando-se, também foi às ruas e tomou gosto pelas ruas. Aprendeu o caminho, construiu espaço e encontrou razões para ousar expandir. No ano anterior ocorrera o julgamento do caso "mensalão". No ano seguinte, 2014, começava a maior crise de recessão da história da economia brasileira, produzida pela ideologia a partir da onipotência da vontade da presidente Dilma Rousseff. O ano de 2014, crucial, foi, também, o ano do surgimento da Operação Lava jato e das primeiras e graves denúncias da corrupção do PT. Foi, também, um ano eleitoral.

Na sequência, estabelecida a crise econômica, aproveitada pela extrema-direita como caldo de cultura para a política do tudo ou nada, por sua vez o PSDB inaugurava a sua própria versão do "Nós contra Eles", em quatro atos. 

Primeiro ato: Aécio Neves, derrotado, questiona os resultados da eleição presidencial. Segundo ato, em 2016, segue o PMDB e decide o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Terceiro ato: a corrupção do PSDB começa a ficar patente, estampada pela Lava Jato. Quarto ato: PSDB, PMDB e PT fazem acordos de mútua salvação no Congresso Nacional e tentam inviabilizar a progressão da Lava Jato. Felizmente sem êxito.

É nesse ambiente de progressão continuada de fatos sombrios que emerge e depois irrompe um Bolsonaro como líder autoritário e a extrema-direita, em organização.

Haddad é PT. Tem personalidade própria, patente no exercício do governo municipal em São Paulo, quando frequentemente ele contrariou interesses fisiológicos de grupos do PT. A propósito, fez um bom governo em São Paulo. Não está envolvido em corrupção e nada pesa contra ele. Contudo, manteve-se em estado de silêncio obsequioso face à progressão continuada de erros do PT.
Seja como for, ele é melhor do que o PT tem se demonstrado. Mas não basta. Com efeito, até então apresentou-se como uma nova encarnação do lulismo. Oferece, agora, os primeiros passos de emancipação rumo à afirmação da sua personalidade própria de líder político, que é.

E então: que posição tomar nesse segundo turno?

Concretamente:
i) meu voto será em Fernando Haddad. Votarei pela liberdade, pela democracia (infelizmente não pode ser pelo republicanismo, pois o PT nada tem de republicano), pela reconstrução do humano. Contudo, sem entusiasmo, sem paixão, sem afinidades eletivas fortes, cético face a um eventual futuro governo do PT;
ii) de modo semelhante à posição de Ciro Gomes, penso que a Rede não deverá participar de um eventual governo Haddad. Antes, deverá se manter na oposição ao governo do PT como oposição construtiva, assertiva, oferecendo crítica e soluções. Mas sem participar do governo. É assim que pessoalmente procederei, longe do governo e do poder, em oposição construtiva;
iii) penso que a Rede deverá persistentemente cobrar do PT e do candidato Haddad uma autocrítica dos erros do PT e uma atitude firme contra a corrupção e uma manifestação inequívoca de apoio à Operação Lava Jato.

É o que penso e ofereço à Rede para reflexão. Seja como for, como nessa questão está envolvida centralmente uma questão irrevogável de valores humanos fundamentais, é assim que votarei, na esperança de que seja essa a decisão nacional da Rede.



Pelo Brasil e seu povo, desejo a vitória de Haddad. Se vitorioso, desejo que Haddad rompa definitivamente com a tosca e inaceitável política de hegemonia e de poder do PT, que Haddad supere o vicioso modo petista de governar para se perpetuar no poder.
Desejo que ele ponha fim à face sombria do lulismo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Estimativa de população do IBGE em 2018 não impacta na transferência de recursos para Itaúna

Projeção baseada na taxa de fecundidade nacional não condiz com realidade da cidade; número de habitantes será conhecido no próximo Censo, em 2020 



O prefeito Neider Moreira e o secretário de Governo e Planejamento, Alisson Diego Batista Moraes, reuniram-se nesta terça-feira, 18 de setembro, em Belo Horizonte, com representantes da Superintendência Regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. O encontro foi motivado pela preocupação do Executivo de Itaúna em relação à última estimativa de população apresentada pelo órgão, com data de referência de 1º de julho. O levantamento apontou que o número de habitantes caiu, entre 2017 e 2018, de 92.696 para 92.561pessoas, uma redução de 135 moradores, conforme a pesquisa divulgada.

Os indicadores levaram os gestores a buscar informações, visto que, conforme explicou Neider, não existe notícia de um movimento migratório de Itaúna para outras localidades. E, além disso, como ressaltou o prefeito, o município garantiu bom desempenho na geração de emprego e renda, no ano passado, chegando a ocupar lugar de destaque, com a quarta colocação em Minas Gerais e a primeira da região Centro-Oeste, na abertura de postos de trabalho com carteira assinada.

A superintendente regional do IBGE, Maria Antônia Esteves, explicou que o relatório, publicado recentemente, há cerca de três semanas, teve como embasamento projeção feita pelo órgão sobre a população de Minas Gerais. Os números apurados tiveram a ver com a menor taxa de fecundidade, identificada em todo o Brasil, no período analisado.

"Tivemos uma verdadeira aula de demografia e  pudemos compreender a metodologia utilizada pelo IBGE. Itaúna terá crescimento populacional constatado em 2019 - o que também será demonstrado por meio do censo de 2020", disse Alisson Diego.

“Voltamos mais tranquilos, porque constatamos, junto às especialistas, que Itaúna não vai perder nada. As estimativas de porte populacional de todas as cidades foram jogadas para baixo, diante dessa questão e o município ainda é considerado como um dos 50 que crescem em território mineiro. Saberemos ao certo o número de habitantes em 2020, com o próximo Censo. Agora, não se fala em perda de arrecadação, em prejuízos na transferência dos recursos, essa possibilidade foi totalmente descartada”, comentou Neider, após a reunião.

Fonte: Ascom PMI

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Setembro Amarelo


O suicídio já é a segunda maior causa de mortes de jovens e adolescentes no Brasil. Nos últimos anos, simplesmente dobrou o número de casos de suicídio em escolas públicas e particulares, em todas as regiões do País.

Diante disso, você pode fazer 3 coisas:

1. Ignorar e fazer de conta que este e-mail não tem nada a ver com você

2. Torcer para que não aconteça perto de você e sob sua responsabilidade

3. Pensar a respeito e fazer o que deve ser feito e agir de forma preventiva

Os sinais e os problemas podem estar mais perto do que você imagina. E, nesse caso, o único remédio é conversar a respeito e prevenir.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Sobre amizades improváveis, aprendizagens e história

A seguir, compartilhamos o artigo escrito para o Jornal Cidades, edição agosto/2018, que circula em Itaguara-MG e região.

Rui Lara, presente! 

O ex-prefeito, Rui Alberto Lara, em 2012.
Foto: Lílian Nascimento
A primeira vez que conversei com Rui Lara foi em 2001, levado pela professora Dunalva Galgani. Eu era um jovem estudante do ensino médio, muito interessado em política e ávido por ouvir histórias de minha terra. Acabara de regressar a Itaguara, juntamente com a minha família, após uma década fora da cidade.

Eram tempos tão marcantes que estão vívidos para mim: eu tinha apenas 16 anos de idade, frequentava a Renovação Carismática Católica, era "âncora" de um programa de rádio ao lado do amigo Antônio Júnior (o polêmico "Café com Leite"), fazia teatro no Grupo Vidas em Artes, tocava teclado na banda do Anderson Sansão (eventualmente, nas missas dominicais), atuava como goleiro do Galla (nosso time de futsal foi vice-campeão naquele ano) e estudava muito, muito mesmo porque queria ser diplomata.

Rui já era um senhor de 65 anos, bastante conhecido pelo temperamento forte, pelas palavras diretas e também por ter sido um prefeito honesto e que sabia dizer "não" sem dar voltas. Nossos perfis e idades eram bastante diferentes, logo uma amizade sincera e próxima era muito improvável. Mas, na vida, o improvável acontece todos os dias para nos provar que a existência em si é a improbabilidade encarnada. Rui e eu nos tornamos, então, fraternos amigos.

A verdadeira amizade é aquela construída pelo tempo, testada pelas intempéries e forjada pelas circunstâncias – independente das idades dos amigos. Nestes 17 anos de convivência próxima, muita coisa aconteceu. Recebi, honradamente, o seu apoio nas três eleições em que disputei (vereador em 2004, prefeito em 2008 e prefeito novamente em 2012). Vencemos juntos os três pleitos. Mas nossa amizade jamais se limitou à política. Rui era conselheiro em todos os âmbitos, inclusive em meus trágicos namoros. E, como em todo autêntico relacionamento de amizade, Rui e eu também passamos por momentos de desentendimentos e acaloradas discussões, o que serviu para fortalecer-nos enquanto amigos. Maria Rita que o diga – ela é testemunha disso tudo.

Uma característica como governante que me chamava a atenção em Rui Lara era o seu carinho com as comunidades rurais. Ele dizia que a zona rural demonstrava a eficiência ou a ineficiência de um prefeito. “Cuidar da cidade é mais fácil, mas cuidar das comunidades rurais exige que se priorize as pessoas, exige planejamento adequado, exige bom governo”, aconselhou-me certa vez. Aprendi isso e muitas outras coisas com ele.

Rui se indignava com a podridão reinante na política nacional. Nutriu uma descrença profunda pelo sistema político nos últimos anos - o que também comentávamos sempre. Diante disso, ele rememorava uma célebre frase de seu homônimo baiano, o Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Se não podíamos fazer muito pelo país, já que lá no alto a bandidagem tomava conta, era necessário que fizéssemos algo aqui na base – concordávamos ambos. É nosso dever, enquanto gestores públicos locais, deixarmos uma comunidade melhor para os que virão. Quem sabe um dia os de cima possam aprender... Tínhamos consenso sobre esta visão de mundo e sabíamos qual era o nosso papel. Não é preciso ser prefeito, governador ou deputado para trabalhar pela comunidade, é preciso ter espírito público, compromisso comunitário e senso de coletividade.

A história itaguarense registrará para sempre a contribuição deste singular gestor público e homem de comunidade. Rui Lara está eternamente presente na história de Itaguara como um abnegado administrador e, na vida de cada um de seus amigos e familiares, como um ser humano ímpar.

Se nos resta uma frase, esta deve ser: Obrigado, Rui; Itaguara lhe é eternamente grata!

Alisson Diego Batista Moraes, 33, advogado e gestor público. Foi prefeito de Itaguara-MG entre 2009 e 2016. Atualmente, exerce o cargo de secretário de Planejamento e Governo de Itaúna-MG.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Adeus, comandante

Rui Lara e Alisson Diego - janeiro de 2015
Eu o chamava carinhosamente de comandante. Não sei bem onde criei esse “apelido”, logo eu, que nunca fui muito afeito a apelidos. Mas essa alcunha, em especial, era uma genuína deferência, coisa de amigos mesmo. Devo tê-la criado num de nossos tantos encontros regados a muitas histórias e algum uísque.

Aprendi muito com Rui Alberto Lara, não só sobre política, mas sobre Itaguara e sobre a vida. Foram muitos anos de uma inesquecível convivência que se tornou uma bela e sincera amizade. A garganta deu um nó quando soube da notícia e as palavras fugiram todas do repertório do poeta.

Há apenas tristura grande na minha alma, dessas de amargar o tempo. Há também um vácuo que, sei, não será suprido. Resta a mais plangente dor e a mais terna lembrança. Rui Lara está eternamente presente na história de nossa Itaguara como um abnegado gestor público e na história de cada um de seus amigos como um ser humano ímpar. Ímpar!

Até um dia, comandante!