Sabe essas listas que fazemos no final de um ano, propondo-nos inúmeras mudanças para o ano que virá? Para muitas pessoas, os propósitos se eternizam apenas no papel, mas não foi exatamente o que aconteceu comigo.No final de 2008, propus a mim mesmo melhorar a minha pobre cultura cinematográfica. Não tive qualquer pretensão de tornar-me crítico da sétima arte ou coisa parecida. Queria apenas conhecer com menos simplismo o cinema.
Sempre gostei de filmes, desde criança, mas assistia a um ou dois por mês, no máximo (e mesmo assim de qualidade questionável). Por diversas vezes, encontrava amigos para conversas sobre generalidades, nas quais se discutia cinema e eu precisava ficar calado porque não conhecia minimamente a mídia "criada" pelos irmãos Lumière.
Em 2009, comecei assistindo de tudo, desde os grandes clássicos e cults, passando por documentários, curtas e pelos pops comerciais, chegando até mesmo às animações. Aos poucos fui ficando mais seletivo e cuidadoso na escolha da melhor película. Não me considero ainda um cinéfilo e não tenho quaisquer aspirações filosóficas ou intelectuais ao assistir a um filme, mas procuro tomar bastante cuidado para não banalizar a "telona", conciliando entretenimento, conhecimento e reflexão.
Assisti a 200 filmes de 2009 até hoje. E a média tem aumentado consideravelmente. Se mantiver o ritmo dos últimos meses, no final de 2011 terei assistido a quase 400 filmes ao longo desses três anos. E o melhor: não apenas ampliei a minha modesta cultura cinematográfica, como também pude descobrir uma verdadeira paixão. O cinema me envolve, me fascina, me entretém e me faz pensar.
Li numa revista, num dia desses, que a produção anual de audiovisuais em todo o mundo é de cerca de 20 mil títulos (a grande maioria de filmes). É preciso, portanto, ser muito seletivo, ou então, corre-se o risco de desconstruir uma cultura cinematográfica, ao invés de ampliá-la.
Dizem que a vida imita a arte e, que no cinema, ficção e realidade se misturam. Não percebo o cinema apenas como a arte do real ou como reprodução da realidade. Não assistimos a filmes com o intuito único de conhecer a realidade. Talvez seja mais para fugir dela, ou conhecê-la de uma maneira diferente do convencional.
Alguns críticos apontam o cinema como um tipo de mídia "artificial", "manipulativa" e que leva muitas vezes a "interpretação errônea da realidade". Para eles, esta "fábrica de fantasia" oferece alienação à sociedade.
Com todo o respeito aos críticos, há pessoas suficientemente conscientes e bem formadas que não se deixam "iludir" pela "fábrica de sonhos". É preciso enxergar o cinema também como arte e entretenimento, além de importante elemento provocador de valiosas reflexões. O fato é que o real e o imaginário se fundem peculiar e maravilhosamente bem nesta inusitada janela da vida.












